Há dez anos eu e o Rô começamos a namorar, ficamos juntos, grudados e inseparáveis por quatro anos, quando terminamos por “incompatibilidade de gênios”. Ficamos separados por um ano inteirinho, 12 meses, sem mais nem menos, sofrendo e aprendendo tudo o que tínhamos que aprender, para que, se um dia voltássemos, que fosse para sempre. Em 2007 voltamos a namorar; ficamos noivos em 2008; casamos em 2009; engravidamos e tivemos a Laura em 2010.
Hoje, 28 de março, completamos três anos casados, três anos juntos, dormindo e acordando juntos, enlaçados no compromisso de fazermos o outro feliz, comprometidos com a qualidade de vida que queremos dar à nossa filha, com a harmonia que queremos ter em nosso lar.
Há três anos, juramos na frente do padre, de grande parte das nossas famílias e de muitos dos nossos amigos, que estaremos um do lado do outro, para o que der, o que vier, na saúde, na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza.
Há três anos assumimos o compromisso de construir um lar, não uma casa. De propagarmos o amor; de tentarmos fazer com que a vida do outro seja mais leve; que os tropeços do cônjuge sejam mais suaves e que as alegrias que invadem a nossa casa sejam transmitidas à nossa família, aos nossos pais, irmãos e amigos. Sacramentamos, para todos que lá estavam, o quanto nos amamos e quão dispostos estamos para assumir a responsabilidade de um casamento, que pode ser falho e sofrido, porém, ainda um casamento, o compromisso perante Deus e o Espírito Santo, de que o nosso amor seja sempre mais forte que a ventania e as tempestades, que a nossa vontade em fazer o outro sorrir seja o catalisador das nossas atividades conjuntas, que sejamos sempre parceiros, amigos, cúmplices e amantes.
Há dez anos eu soube que tinha encontrado o amor da minha vida. Há seis anos decidi terminar o namoro, embora amasse esse tal de Rodrigo tão completamente, que me doía respirar, quando lembrava que não estávamos juntos. Aliás, por um ano eu tentei não me lembrar de que não estávamos juntos, apenas torci para aprender o que tinha que aprender, porque tinha certeza de que voltaríamos – e eu queria estar pronta para ele, quando este dia chegasse. Que viesse a lição, então! Já que estava sofrendo sem você, bora aprender. E assim foi, quando voltamos eu estava mudada, completamente diferente, madura, decidida, firme, forte igual geléia, pronta para seguir a vida com o meu amor, o meu Babe. Quando ficamos noivos, fizemos uma festa linda, emocionante, o Rô pediu a minha mão em casamento para o meu pai, o homem mais especial da minha vida inteira. O meu primeiro amor, o meu referencial masculino. Juntos, planejamos o nosso casamento, insisti em casar na igreja porque, apesar de não ser católica praticante, era o dia de entrar na igreja com o MEU PAI, era o dia do meu amor fraterno me entregar ao meu amor da vida. Era o meu pai me levando ao meu marido. E assim planejamos e organizamos o casamento. Meu pai teve uma viagem a trabalho para fora do país, e, no dia que voltaria para o meu casamento todos os aeroportos fecharam por conta de uma forte nevasca que invadiu os EUA. Os aeroportos ficaram fechados por dois dias, todas as estradas bloqueadas, ruas intransitáveis, e o meu pai ficou preso em Kansas, não pôde vir ao meu casamento.
Quando as portas da igreja abriram, eu estava sozinha, emocionada, feliz e triste. Faltava ele, ali, para completar o quebra-cabeça. Mas eu estava me casando e este dia seria especial de qualquer forma, porque o meu marido estava ali me esperando, e eu estava lá, na entrada, sozinha, com o coração dividido de emoções. Meus irmãos me acompanharam a partir do corredor da igreja, mas eu tinha que entrar sozinha, já que não pude entrar com o meu pai. E foram os meus irmãos que me entregaram ao meu amor. Meus queridos e amados irmãos, minha sustentação, minhas pernas naquele altar, que me parecia tão longe, tão lindo, tão emocionante e tão surreal.

Durante a festa, no meio do salão, todo mundo dançando, bebendo e rindo, meu pai apareceu no telão, o salão ficou mudo, todo mundo paralisou, eu gritei. Muito.
Meu pai no telão, via Skype, me parabenizando pelo meu casamento, podendo me ver de noiva, online, sem ser por fotos ou por relatos. Ele me viu, pela webcam, mas me viu. E eu o vi, eu o olhei nos olhos, vi sua dor, sua tristeza, sua solidão e fui dominada pelo sentimento mais ambíguo de todos, a extrema alegria de ver o meu pai ali no salão da festa, no telão, falando para todo mundo o quanto me amava e queria que eu fosse feliz, tudo aquilo que ele deveria ter dito ao pé do ouvido, na beira do altar, estava sendo dito em um telão, ao vivo, para as 200 pessoas ali presentes. E eu chorei. Muito. Sofri. Me entreguei, naqueles minutos, à dor e à alegria de ver o meu pai no meu casamento.E naquele momento, me libertei da tristeza. Curti. Curtimos. Dançamos, bebemos, rimos, caímos, levantamos. Bem como um casamento há de ser.
Casamos, lindamente. Foi fantástico. O Rô, um querido, me deu suporte para ficar em pé durante toda a cerimônia, para curtir a festa, me amou, me beijou, me abraçou, me apossou. Ele, sempre ele, esse querido marido. Esse amado Rodrigo.
Te amo muito Babe!
Que venham mais 30 anos! E depois mais 30!































