E quando eu falo em "muda", entenda bem: muda tudo. Não sei se é para melhor ou para pior, arrisco a dizer que nem um, nem outro, é uma adaptação a essa nova condição, a este novo status, às responsabilidades inerentes à vida de mãe, de mulher, de mantenedora, provedora, porque a mulher mantém o equilíbrio de casa, ela provém amor aos lares, e, na maioria das vezes, é a mulher o equilíbrio de uma família.
Não sendo machista, mas acredito muito nisso, de que a minha função como mãe, vai além. Além daquela cartilha básica de educar, tenho responsabilidades a mais com a faxineira, com o meu marido e até com os meus pais, afinal, se a maternidade não servir para me abrir o olhos e entendê-los em suas atitudes, nada mais o fará.
Ocorre que eu mudei muito e não gostei tanto assim. Tudo bem, tem dias que eu gosto de ser essa pessoa madura, responsável, paranoica com segurança, com o trânsito, com as pessoas ao meu redor, mais focada, analítica e prática, porém, percebo-me muito mais introspectiva do que antes da Laura nascer, mais quieta, mais serena, caseira. Quase que mal-humorada o tempo inteiro. Será defesa? Será instinto?
Faz meses que venho reparando que a minha família-núcleo (leia-se LAURA) representa todos os meus objetivos, imprime todos os meus sonhos, me coloca para pensar em todas as datas com meses de antecedência (férias, aniversários, dias comemorativos, fim de ano) e me coloca num mundo tão meu, exclusivamente meu, que nem mesmo o meu marido tem permissão para participar. Veja bem, nem que eu conversasse com ele certos anseios ou desejos, faria-me compreendida, a exemplo da preocupação com as férias, que serão em setembro. Fechei o pacote em janeiro e lembro-me de comentar com ele se seria melhor fechar Maceió ou Fortaleza e ele nem me dar atenção.
Entende?
Eu vivo no meu mundo, fechada nos meus problemas, com as minhas inseguranças, muitas preocupações e quando alcanço conquistas, comemoro sozinha, pelo simples fato de ninguém ter participado comigo de grande parte das minhas construções.
É evidente que o meu marido participa de decisões e objetivos traçados, que ele é um companheiro nota mil e me apoia em tudo; que a minha mãe é ansiosa como eu e me deixa "viajar" o quanto quiser na minha maternidade (conexão com o nome do blog?), ela vai comigo até a lua e depois me puxa de volta, muitas vezes me trazendo para uma piscina agradável com um copo de cerveja ao lado, me acalmando o coração.
Minha família, como um todo (irmãos, pai, Andrea, sogros, cunhados) estão conosco e sempre participam dos nossos planos, especialmente os "meus" (Alina, Fernando, papi e Andrea), que me aguentam quase que diariamente, me confortam e me acalmam, que sonham meus sonhos sonhados, vão à festa junina da Laura, compram meias porque ela não tem mais, que ensinam o plié e dão colo gostoso para a Laura no fim de tarde.
Afora as considerações acima, eu continuo sozinha na minha bolha, em 90% do meu tempo.
Não raro a minha mãe ou minha irmã me perguntam o que eu tenho, por que estou triste, calada, amuada? Por que não participo da conversa em família? Por que não estou sorrindo mais...?
Difícil responder a esta pergunta, mas acho que a vida ficou mais difícil. Não mais chata ou pior, de forma alguma!
É o cansaço? Não sei. É a minha mania de viver com os meus problemas e os meus planos? Não sei.
Todas as mães vivem em um mundo paralelo por alguns momentos e se vêem mais duras consigo mesmas? Não sei.
Eu sempre me permiti errar, cair, levantar. Sempre me permiti ser falha e tive muito orgulho dessa flexibilidade moral, de aceitar meus erros sem problemas. Hoje em dia não aceito mais, porque qualquer erro representa impacto na vida da minha filha e isso não eu não admito. Não admito que ela pague por um tropeço meu, por uma injustiça vinda de mim, por um mau julgamento que eu tenha feito. Não admito que a vida dela seja, por um minuto, mais difícil ou dolorida, por conta de qualquer ato meu, que não seja com o claro objetivo de educá-la.
Não sei se é o fato de não mais aceitar minhas imperfeições, só sei que antes, uma menina flexível, que saía para botecos com as amigas e com o marido, uma garota faceira que errava e acertava, cheia de opiniões e atitudes, aos poucos tornei-me uma mulher fechada, ausente, carrancuda, por vezes mal humorada, irritada e cansada.
Sou só eu?
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